Em 31 de março passado, o Ministério da Defesa publicou uma nota em alusão ao aniversário do ato militar de 1964, chamado pela esquerda política brasileira de “golpe militar”. Como resultado, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal, a fim de que os militares sejam obrigados a apagar o documento.

“A homenagem, a celebração e a apologia ao Golpe Militar de 1964, por instituição ou agente públicos, enquanto regime antidemocrático, violador de liberdades e contrário à dignidade humana, vulnera, de forma drástica, os fundamentos da República Federativa do Brasil, ensejando a responsabilização solidária dos que concorreram para a realização do ato ilícito, sejam eles servidores públicos, agentes políticos ou particulares”, diz o MPF.

A visão do MPF, no entanto, não encontra consenso na academia, visto que assim como muitos historiadores retratam o episódio de 64 como um “golpe militar”, outros tantos também discordam dessa interpretação, afirmando que a reação das Forças Armadas do Brasil naquela época obteve o apoio da sociedade e do próprio Congresso, sendo necessária na ocasião para “restabelecer a ordem” no país num contexto de perigo institucional devido à ação de grupos comunistas radicais.

Esse foi o entendimento da nota publicada pela Defesa, que além de ter sido assinada pelo general Walter Braga Netto, então chefe da pasta, também foi assinada pelos três comandantes das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica.

“Analisar e compreender um fato ocorrido há mais de meio século, com isenção e honestidade de propósito, requer o aprofundamento sobre o que a sociedade vivenciava naquele momento. A história não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização”, diz um trecho da nota.

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