O presidente Jair Bolsonaro disse durante uma entrevista na manhã de hoje, que o seu futuro vice-presidente (candidato) será alguém de Minas Gerais, e que já cursou o colégio militar. Apesar de não ter confirmado o nome, todos os indícios apontam o general Braga Netto, atual ministro da Defesa, como o provável indicado.

A possível escolha de outro general para a vice-presidência do país tem muito significado, especialmente no atual contexto da nação. Primeiro, pelo fato do atual ministro da Defesa ter demonstrado muita aproximação com o presidente Bolsonaro desde a sua nomeação para a pasta.

Em suas falas públicas, incluindo uma oitiva na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em outubro passado, o general Braga Netto demonstrou muita firmeza ao responder aos questionamentos dos parlamentares, chegando a aumentar o tom de voz em resposta a um deputado do PSOL.

“Não existe insubordinação nas forças armadas! Se houver insubordinação, ela será punida! (…) Não existe hipótese, não existe isso”, afirmou o militar na ocasião. O mesmo tom tem sido adotado pelo ministro sempre que provocado sobre ações do governo federal.

Na prática, tal postura demonstra total alinhamento com o presidente Bolsonaro, não só no campo das ideias, como na forma de reagir. Além disso, o fato do presidente ter mais um general de destaque na vice-presidência, mesmo após os rumores de suposto desgaste junto a ala militar devido à troca de comando das Forças no começo do ano passado, demostra que, na verdade, o que existe é o oposto.

Significa que Bolsonaro tem o apoio da ala militar para indicar outro general tão respeitado quanto o atual vice-presidente, Hamilton Mourão, que apesar de ter demonstrado lealdade ao presidente, não possui o mesmo estilo de comunicação de Bolsonaro, sendo por isso visto com desconfiança por parte dos apoiadores mais radicais.

Mourão, por sua vez, vai disputar uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul, e com o apoio de Bolsonaro, o que também sinaliza que há um acordo entre os militares em nome da governabilidade. Se confirmado este cenário, portanto, o governo sairá fortalecido em muitos aspectos.