Racha na PM? Doria afasta coronel da ativa que apoiou manifestação em 7 de setembro

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), anunciou a pouco que determinou o afastamento do coronel da Polícia Militar, Aleksander Lacerda, que tinha sob o seu comando 7 batalhões da PM de São Paulo, o que totalizava cerca de 5 mil militares às suas ordens no estado.

“Ele acaba de ser afastado da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo. O agente foi comunicado nesta manhã pelo secretário de Segurança Pública”, disse Doria, em entrevista à rádio CBN. “Nós não toleramos indisciplina e ele responderá por aquilo que falou, bem como pelas postagens que fez”.

“Se outros fizerem isso, terão o mesmo destino”, destacou o tucano. O motivo da punição, segundo relatado pelo jornal O Estado de S. Paulo, teria sido devido a postagens feitas pelo coronel que tratam da manifestação prevista para o próximo 7 de setembro.

Nas publicações compartilhadas pelo militar aparecem trechos, como: “Precisamos de um tanque, não de um carrinho de sorvete”. Também em outra parte é possível ler que “nenhum liberal de talco no bumbum” consegue “derrubar a hegemonia esquerdista no Brasil”.

Críticas o próprio Doria e ao ministro Alexandre de Moraes, que aparece em uma imagem fazendo alusão a Hitler, também aparecem nas postagens do coronel, que em outras postagens também demonstra amplo apoio ao presidente Jair Bolsonaro, chegando a compartilhar posts do mesmo.

A notícia do afastamento do comandante, no entanto, divide opiniões. Isso porque, por lei, nenhum militar da ativa pode se manifestar em caráter partidário ou contra seus superiores, o que inclui os governadores, fazendo convocações políticas ou semelhantes.

Todavia, há quem diga que a manifestação em perfis pessoais, nas redes sociais, fora do exercício profissional, não pode ser considerada oficial, mas sim uma manifestação estritamente individual respaldada pelo direito à liberdade de expressão, inclusive a dos militares enquanto cidadãos.

Essa visão, contudo, é motivo de muita polêmica entre os juristas, o que explica o conflito de opiniões. Entretanto, o ponto mais preocupante nessa questão está na possível reação entre os militares da reserva e da ativa sobre o assunto, pois a punição de um comandante em pleno exercício, em um momento de tensão no qual vive o país, pode gerar graves desdobramentos, como uma divisão da força ou mesmo união em apoio ou contra o governador paulista.

Postagens compartilhadas pelo coronel Lacerda, o que resultou em seu afastamento após determinação do governador de São Paulo. Imagens: reprodução.

O deputado paulista conhecido como coronel Telhada, ex-comandante da Rota e tido como um grande influenciador da ala militar, por exemplo, já se manifestou em apoio ao coronel Lacerda, o que aumenta a preocupação, especialmente quando sabe-se que o atual presidente da República também possui boa relação com os militares da PM, ao menos em sua maioria.

“Minha total solidariedade ao Coronel Aleksander Lacerda, Comandante do CPI-7 – Sorocaba que se posicionou contra o Ditadória em defesa da liberdade e democracia. O Megalomaníaco Agripino não suporta ouvir a verdade. Parabéns Cel Aleksander”, escreveu Telhada no Twitter.