“A quebra da legalidade seria desmoralizante para as Forças Armadas”, diz Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confessou que anda preocupado com a possibilidade de ruptura institucional no Brasil. Ao participar de um evento em São Paulo, ao lado dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, o magistrado chegou a opinar sobre o papel das Forças Armadas no atual contexto do país.

“A quantidade de vezes que me perguntam se há risco de golpe está me deixando preocupado”, afirmou Barroso. “Tenho a postura pública firme de negar a probabilidade de golpe e de afirmar que as instituições estão funcionando”, completou.

A preocupação do ministro se deve ao fato do presidente da República, Jair Bolsonaro, estar fazendo críticas ao atual modelo de votação eleitoral no Brasil. Segundo o líder do Executivo, se e o voto impresso e auditável não for implementado no Brasil, a eleição de 2022 ocorrerá “na fraude”.

Por essa razão, Bolsonaro tem criticado duramente a resistência de Barroso e outros ministros do STF em relação ao voto impresso. Para sustentar seus argumentos, o presidente apresentou dados de um inquérito da Polícia Federal, aberto em 2018, comprovando que o sistema do TSE já foi invadido por um hacker naquele ano.

Para Barroso, no entanto, não houve nada anormal nas eleições anteriores, de modo que não justificaria o uso dos militares, por exemplo, numa eventual ruptura institucional em 2022 por divergências eleitorais. “Não acho que as Forças Armadas embarcariam nesse tipo de aventura. A quebra da legalidade seria desmoralizante para as Forças Armadas”, afirmou o ministro, segundo a Tribuna de Brasília.