Militares do Exército, Marinha e Aeronáutica emitem nota em favor do voto impresso

A disputa argumentativa em favor ou contra o voto impresso no Brasil parece estar assumindo proporções cada vez maiores, o que significa o envolvimento de novos atores da sociedade civil, inclusive a militar. É o que sugere uma nota conjunta divulgada por militares do Exército, Marinha e Aeronáutica na segunda-feira (02/08).

A nota foi uma reação do Clube Militar, o Clube Naval e o Clube da Aeronáutica a um pedido feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela abertura de um inquérito investigativo contra o presidente Jair Bolsonaro devido à propagação de supostas “fake news” contra a Corte eleitoral.

Para os militares que assinam a nota, no entanto, os argumentos do capitão Bolsonaro sobre a transparência das urnas possui fundamento. “Auditagem das urnas não pode ser enxergada a olho nu. Trata-se, de uma inescrutável caixa preta. A inviolabilidade das urnas eletrônicas, atestada pela própria equipe técnica do TSE, não pode ser um dogma”, diz o documento.

“O TSE bloqueia sistematicamente propostas de teste do sistema solicitados por equipes externas, o que pode levar à suspeita de que tem algo a esconder”, ressalta a nota, levantando suspeição sobre a reação do tribunal contra às críticas feitas ao modelo eleitoral atual.

Os militares citaram como exemplo outros órgãos de máxima segurança, os quais também estariam sujeitos a ataques e vulnerabilidades. “Sistemas digitais da NASA, do Pentágono, de partidos políticos americanos e de grandes empresas privadas, mesmo protegidos por sistemas de segurança (CyberSecurity) up to date, já foram invadidos”, diz o texto.

“Hackers, por ideologia e/ou interesses financeiros, são gênios do mal e estão sempre um passo à frente em termos de avanço tecnológico. Diante destas inquestionáveis evidências, seriam as urnas eletrônicas brasileiras realmente inexpugnáveis?”, questiona a nota.