Por que o serial killer do DF ainda não foi preso, mesmo com 300 policiais na caça?

O caso de Lázaro Barbosa, de 32 anos, apontado como autor de uma chacina em Ceilândia, região do entorno do Distrito Federal, vem chamando atenção pelo fato do criminoso ainda continuar foragido, mesmo com um efetivo policial gigantesco em sua perseguição, o que já despertou críticas aos policiais, inclusive vindas do governador de Brasília, Ibaneis Rocha.

São quase 300 policiais na perseguição de Lázaro, munidos de helicópteros, cavalos, cães farejadores, armamento pesado e drones. O criminoso saiu de Ceilândia e está foragido entre Edilândia e Girassol, em Goiás, região conhecida por abrigar muitas fazendas, matas e rios. Ou seja, um lugar selvagem.

O que boa parte da população desconhece é que o trabalho policial de perseguição encontra diversas dificuldades, o que torna a perseguição a Lázaro Barbosa algo peculiar. Abaixo, listamos alguns dos motivos:

01 – Lázaro cresceu e passou a vida na região onde está foragido

Segundo o delegado-geral da PCDF, Robson Cândido, Lázaro “nasceu e foi criado em um ambiente de fazenda. Trabalhou e circulou a vida toda no mato. Conhece essa região como poucos.” Por causa disso, segundo o militar, “em função dessa circunstância, ele [Lázaro] tem conseguido se camuflar na mata”.

A mata citada pelo delegado não é uma relva, composta por campos de pastos rasos. Ela possui áreas de matagal “fechado”, com muitas grutas, riachos e relevos montanhosos, o que dificulta a locomoção dos agentes de segurança. Se trata, portanto, de uma perseguição em terreno bastante difícil.

Um dos locais em que Lázaro foi encontrado e conseguiu escapar, após fazer uma família refém.
Um dos locais em que Lázaro foi encontrado e conseguiu escapar, após fazer uma família refém. Nota-se que é um terreno difícil de mata muito densa e com vários relevos. Reprodução: Metrópoles

02 – Lázaro possui conhecimento de sobrevivência e está armado

Outros dois fatores fundamentais nessa perseguição é que os anos de experiência no mato deram a Lázaro condições de saber como sobreviver em condições inóspitas. Segundo testemunhas, ele também é caçador e “mateiro”, o que lhe dá condições de coletar comida selvagem se necessário.

Além disso, o criminoso invadiu propriedades e conseguiu recursos como cobertores. Isso dificulta muito porque a fome, o frio e o cansaço diminuem a capacidade de raciocínio do ser humano, expondo-o a fraquezas físicas e mentais, facilitando a captura. No caso de Lázaro, esse não parece ser o caso.

O criminoso também está armado, o que torna a perseguição muito mais cautelosa. Os policiais não podem, dentro de uma mata desconhecida, se exporem ao perigo de serem recebidos a tiros, fato esse que aconteceu na terça-feira (15), quando Lázaro disparou contra os agentes que se aproximaram do seu esconderijo, conseguindo acertar de raspão um policial.

03 – Os policiais formam grandes alvos, enquanto Lázaro está sozinho

Dentro de uma mata, o volume de pessoas envolvidas numa perseguição é um fator negativo quando se está lidando com uma “caça” experimente nesse tipo de contexto. Isso porque, uma vez que andam em grupos, os policiais se tornam alvos mais fáceis de serem vistos.

Lázaro, por sua vez, estando sozinho, consegue se locomover e se esconder sem chamar muita atenção, podendo se abrigar em locais improváveis dentro da floresta. Não é por acaso que testemunhas disseram que ele está usando roupas pretas.

Por fim, vale lembrar aqui um programa chamado “O Fugitivo”, transmitido pela Discovery, onde um ex-integrante das tropas especiais da Marinha nos Estados Unidos, Joel Lambert, coloca a prova forças de segurança de vários países, desafiando-as a ser capturado por meio de áreas selvagens.

Muito embora o conhecimento e experiência de Joel Lambert sejam muito superiores aos de Lázaro (para não dizer incomparáveis), o seu programa serve para nos mostrar o quanto pode ser difícil perseguir e capturar uma pessoa no meio de uma mata, desde que tal pessoa possua alguns conhecimentos específicos de sobrevivência, camuflagem e reação armada.

Abaixo, colocamos o vídeo do momento em que os policiais resgataram uma família feita refém por Lázaro na terça-feira. Por ele é possível observar o quanto o ambiente onde o criminoso está foragido é inóspito, de difícil locomoção e de muitos esconderijos possíveis. Assista: