O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, fez uma declaração que acabou endossando nas entrelinhas uma visão negativa sobre a figura dos policiais brasileiros. Ele afirmou que a morte de “inocentes” em operações da Polícia se tornou algo banal.

A declaração ocorreu ao comentar o caso de Kathlen Romeu, jovem grávida que morreu na última semana atingida por um tiro de fuzil, no Rio de Janeiro. O ministro questionou o número de mortes e expressou sentimentos à família da vítima.

“A morte de inocentes em operações policiais tornou-se banal. Dessa vez, a guerra urbana tirou a vida da jovem Kathlen. Quantas mortes serão necessárias para se entender a completa inviabilidade dessa política? Meus sentimentos à família!”, afirmou Gilmar Mendes em sua rede social.

Gilmar Mendes erra feio

Independentemente das intenções do ministro Gilmar Mendes, que neste caso foi a de prestar solidariedade à família de Kathlen, o fato aqui que nos chama atenção, na condição de agentes federais, é a clara associação feita pelo magistrado da morte de inocentes com “operações policiais”.

Ora, essa declaração faz parecer que a culpa pela morte de inocentes é da Polícia e não da violência promovida por criminosos. Se trata, portanto, de uma inversão sutil de perspectiva e entendimento acerca do contexto que envolve o combate ao crime organizado no país.

A perspectiva correta é esta: se a morte de inocentes se tornou banal nos morros do Rio de Janeiro, não é por causa das operações policiais, mas por causa do aumento do poder do tráfico de drogas, o qual para resistir ao Estado faz uso da violência através de confrontos com a Polícia.

Nenhuma operação policial, por si só, promove a violência, pois a última coisa que um agente de segurança quer é se colocar no meio de um tiroteio. Ele quer apenas cumprir o seu trabalho da forma mais rápida possível e voltar para a sua família, em paz e ileso, e para isso o uso da força é algo excepcional.

Ou seja, trocas de tiro são consequências da reação dos criminosos, os quais muitas vezes promovem o pânico e disparos aleatórios de forma proposital para fazer os agentes de segurança recuarem. São os bandidos, e não os policiais, os verdadeiros culpados pelas mortes de civis inocentes.

Portanto, quando Gilmar Mendes liga a morte de civis à operações policiais, ele inverte a perspectiva correta, promove uma visão distorcida sobre o trabalho policial e colabora, assim, com o que os criminosos mais desejam: colocar a sociedade contra o policial. Lamentável!