Maior general dos EUA: ‘China acoberta investigação sobre a origem do COVID’

Mais de 15 meses após o início da pandemia de coronavírus, o principal oficial-militar dos EUA disse que às evidências de sua origem permanecem “inconclusivas”, afirmando que há um “encobrimento” por parte do governo chinês sobre a obtenção dessas respostas.

A bordo de uma aeronave militar retornando da Academia da Força Aérea na noite da última quarta-feira (26), o general Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto, foi questionado pela Fox News se a sua opinião havia mudado há mais de um ano, quando disse: “O peso das evidências parece indicar ser natural [o surgimento do covid], mas não sabemos com certeza.”

“Minha opinião não mudou, porque não vi nenhuma evidência diferente”, disse Milley. “O que eu disse há um ano, ainda é verdade hoje. É inconclusivo, não sabemos.” Milley diz que o motivo pelo qual o mundo ainda não possui certeza sobre a origem do coronavírus é o governo comunista chinês.

“Depois que o vírus começou a aparecer, parece ter havido uma boa quantidade de atividade, encobrimento ou falta de transparência, provavelmente a melhor forma de colocá-lo, e tudo isso é perturbador. Portanto, precisamos chegar ao fundo disso.”

O avião de Milley pousou na Base Aérea Andrews, fora da capital do país, na mesma época em que o Senado dos EUA aprovou um projeto de lei que exigiria que o governo Biden e o diretor de inteligência nacional divulgassem informações sobre as origens do COVID-19.

Na quarta-feira, o presidente Biden disse que a inteligência dos EUA estava avaliando dois cenários possíveis – que o vírus passou para um humano a partir do contato com um animal infectado ou que vazou acidentalmente de um laboratório em Wuhan, China.

Nicholas Wade, ex-redator da seção científica do New York Times, disse no início deste mês que a comissão da Organização Mundial da Saúde enviada à China em fevereiro para investigar as origens do vírus era “fortemente controlada” pelo governo chinês.

Wade duvida que a pandemia tenha se espalhado de forma natural. “O que ficou claro foi que os chineses não tinham nenhuma evidência para oferecer à comissão em apoio à teoria do surgimento natural”, disse Wade.

Mas Wade admite: “Nem o surgimento natural nem a hipótese de escape do laboratório podem ser descartados. Ainda não há nenhuma evidência direta para ambos. Portanto, nenhuma conclusão definitiva pode ser alcançada.”

De acordo com um informativo emitido pelo Departamento de Estado cinco dias antes da posse de Biden, “o governo dos EUA tem motivos para acreditar que vários pesquisadores do [Instituto de Virologia de Wuhan] adoeceram no outono de 2019, antes do primeiro caso identificado do surto, com sintomas consistentes com COVID-19 e doenças sazonais comuns.”

Os EUA dizem que esta declaração foi elaborada a partir de relatórios de inteligência ainda no governo Trump. Milley diz que a origem do vírus deve ser descoberta. “Precisamos saber como nação”, disse ele. “Precisamos conhecer como mundo, porque a escala e o alcance dessa pandemia eram enormes. Ainda é enorme.”

“O fracasso em colocar nossos inspetores no local naqueles primeiros meses sempre atrapalhará qualquer investigação sobre a origem do COVID-19”, disse Biden na quarta-feira. Biden pediu às agências de inteligência que “redobrassem” seus esforços para encontrar as origens do coronavírus e informassem a ele em 90 dias.

Milley fez o discurso de formatura na Academia da Força Aérea, onde alertou sobre a crescente divisão entre os EUA, a China e a Rússia.

“Estamos agora no 76º ano da paz das grandes potências após a Segunda Guerra Mundial. E está sob estresse”, disse Milley aos 1.019 formados da Academia da Força Aérea e suas famílias em Colorado Springs, Colorado.

“No momento, estamos em uma grande competição de potências com a China e a Rússia. E precisamos mantê-la na competição e evitar conflitos de grandes potências”, acrescentou. Com: Fox News.