General Pazuello muda o clima da CPI da Covid e faz Renan Calheiro baixar o “tom”

O depoimento do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, parece que fez mudar nitidamente o clima e o tom de alguns senadores que atuam na CPI da Pandemia, especialmente do relator Renan Calheiros.

Durante toda a condução dos depoimentos até então, Calheiros tem demonstrado um comportamento taxativo contra os depoentes, no sentido de sempre cobrar respostas “objetivamente”, muitas vezes até cortando a fala dos mesmos com um “muito obrigado”, assim que dava-se por satisfeito, chegando a pedir a prisão de um deles, o ex-secretário de Comunicações do governo.

Diante do general Pazuello, no entanto, o relator não tem apresentado esse comportamento e vem demonstrando muito mais cordialidade, deixando o ex-ministro “à vontade” para dar as suas respostas, apesar de pedir objetividade em algumas ocasiões, mas em volume muito menor.

Em certa ocasião, inclusive, Pazuello deixou claro que não daria respostas simples se necessário, criticando “perguntas simplórias” face à necessidade de contextualização das respostas na maioria das vezes.

Aparentemente, portanto, a postura do general Pazuello, bem como a surpresa de estar respondendo a todas às perguntas feitas até então, com visível segurança, parece ter alterado não apenas o clima oposicionista da CPI, como também feito o senador Renan Calheiros baixar o tom de agressividade contra o atual depoente.

Para o jornalista Rodrigo Constantino, o depoimento de Pazuello até então põe “fim” à CPI: “Era o Dia D, o mais esperado pela oposição, a grande esperança de detonar de vez com Bolsonaro. Acabou sendo o enterro definitivo desta CPI circense”, disse ele. Veja também:

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