Comandantes das Forças Armadas pedem mais orçamento para modernizar a Defesa

Os comandantes das Forças Armadas do Brasil (Exército, Marinha e Aeronáutica) estiveram esta semana participando da audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), onde relataram a necessidade de maior investimento na área.

O ministro da Defesa, Braga Netto, explicou que este ano de 2021 o valor que será destinado à Defesa Nacional só atende a metade de todas as necessidades dos militares, ficando muito abaixo do esperado.

“Com o bloqueio, o orçamento de 2021 só atende metade das nossas necessidades. Para os R$ 16,5 bilhões que são necessários, dispomos de R$ 8,4 bilhões. Os cortes fazem com que todos os projetos estratégicos atrasem muito e percam em qualidade”, disse ele.

O ministro explicou que projetos estratégicos importantes para a segurança nacional serão afetados, como “o Prosub [Programa de Desenvolvimento de Submarinos], o Sisfron [Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras] e os caças FX-2 são os mais prejudicados”.

O almirante Almir Garnier, da Marinha, defendeu a importância do Prosub (programa de desenvolvimento de submarinos, especialmente os de propulsão nuclear) e de outros programas das Forças Armadas para o país.

“O Prosub gera 24 mil empregos diretos, 40 mil indiretos e já arrecadou, desde seu início, R$ 1 bilhão em impostos. O programa das fragatas Classe Tamandaré, que ainda está no início, já gera 2 mil empregos diretos e gerará 6 mil indiretos. Nossos projetos têm uma relação custo-benefício muito elevada”, disse, segundo a Agência Senado.

Para o comandante do Exército, General Paulo Sérgio Nogueira, a falta de maior investimento na Defesa do país também prejudica a geração de empregos, visto que o retorno financeiro em decorrência da mão-de-obra empregada é bem maior do que o montante investido.

“A Defesa é rentável. Temos um trabalho feito por outras organizações, inclusive com a Confederação Nacional da Indústria [CNI], em que chegamos à conclusão de que, para cada R$ 1 investido em Defesa, o retorno é de R$ 3,66”, disse ele.

“Mais que na metalurgia, nas telecomunicações ou na informática. Essa relação é corroborada, inclusive, por outras pesquisas. Os levantamentos mostram que os 17 programas estratégicos do Exército devem gerar R$ 112 bilhões para a economia brasileira até 2039 e R$ 60 bilhões em acréscimo no PIB. São 187 cidades envolvidas em nossos programas, de 26 estados. São 1.441 empresas ligadas diretamente a nossos programas”, conclui.