Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (29) o secretário municipal de Saúde de Itatiaia, Marcus Vinicius Rebello Gomes, e outras quatro pessoas.

Todos os presos na chamada Operação Apanthropía são acusados de fraudar compras de equipamentos de proteção individual (EPIs) para o combate à pandemia de Covid-19 na cidade, no valor de R$ 3 milhões.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, o Município de Itatiaia adquiriu produtos sem licitação da empresa Latex Hospitalar em quantidade desproporcional às necessidades da cidade, de apenas 32 mil habitantes. A compra total foi de R$ 3 milhões, mas mesmo com o pagamento inicial de R$ 1,4 milhões, os materiais não foram entregues à secretaria de Saúde.

— A investigação começou com a notícia de um contrato de volume absolutamente anormal para os padrões de Itatiaia — disse o promotor do Gaeco Fabiano Cossermelli, em entrevista à TV Globo. — Eram equipamentos no valor de R$ 3 milhões e os contratos mais caros de Itatiaia em relação a compras sempre foram em valores muito inferiores. A estimativa é que esse material seria capaz de atender, caso fosse efetivamente entregue, à demanda de mais de um ano.

O secretário de Saúde foi levado para a delegacia de Itatiaia no início da manhã. Na mesma ocasião, foi preso na capital o ex-secretário de Planejamento de Itatiaia, Marcelo Pinheiro, também acusado de integrar o esquema. Outros mandados de prisão foram cumpridos em Resende, Barra Mansa, Porto Real e Niterói.

Segundo o MP, Pinheiro chegou a se passar por delegado de polícia para coagir servidores. Um deles teria sido forçado a atestar notas fiscais fraudulentas da empresa Latex Hospitalar. No episódio, Marcelo Pinheiro alegou que fazia parte da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), mesmo já ocupando o cargo de secretário.

Além do secretário e do ex-secretário, o MP denunciou o policial militar Rafael Mendes Gonçalves Silva, Guilherme Nelson Van Erven Sabatini, Julio César Dalboni de Moura, Aline Crislaine de Oliveira Pinheiro e Livia Monteiro de Barros Jorge Gomes. Eles foram acusados pelos investigadores de integrar uma organização criminosa que causou prejuízos aos cofres públicos. Dos sete denunciados, só Aline e Livia não tiveram a prisão preventiva pedida pelo MP.

As prisões foram autorizadas pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital, que também expediu 17 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a integrantes da organização e pessoas próximas aos denunciados.

De acordo com o MP, os envolvidos nas fraudes ainda tentaram assinar mais contratos para compra de EPIs no valor de R$ 25 milhões, com argumento de que eles seriam destinados ao enfrentamento à pandemia. Essas aquisições não foram feitas: acabaram suspensas pela Justiça a partir de quatro ações cíveis ajuizadas pelo Ministério Público. Com: Extra