Ministro da Defesa já surpreende e diz que ação militar de 1964 deve ser “celebrada”

O novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro na última segunda-feira (29), publicou hoje um texto chamado “Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964”, onde destacou o papel de “pacificação” das Forças Armadas no país sobre o muitos classificam como “golpe militar”.

“As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o país, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, afirmou o ministro.

Braga Netto explicou que a reação militar de 64 foi uma resposta ao contexto da época, onde movimentos totalitários tentaram se implantar no Brasil, provocando a reação de setores de toda a sociedade.

“Os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das forças armadas, interrompendo a escalada conflitiva, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964”, destaca o ministro.

A declaração do novo ministro da Defesa é de suma importância, pois ela indica claro alinhamento ideológico com o presidente Jair Bolsonaro, que também nega ter havido um golpe militar em 64, assim como uma ditadura. Portanto, em seu primeiro ato, Braga Netto já surpreende ao defender uma visão que sem dúvida alguma irá repercutir no mundo político.

Leia abaixo a íntegra do texto:

“Eventos ocorridos há 57 anos, assim como todo acontecimento histórico, só podem ser compreendidos a partir do contexto da época. O século 20 foi marcado por dois grandes conflitos bélicos mundiais e pela expansão de ideologias totalitárias, com importantes repercussões em todos os países.

Ao fim da segunda guerra mundial, o mundo, contando com a significativa participação do Brasil, havia derrotado o nazi-fascismo. O mapa geopolítico internacional foi reconfigurado e novos vetores de força disputavam espaço e influência. A Guerra Fria envolveu a América Latina, trazendo ao Brasil um cenário de inseguranças com grave instabilidade política, social e econômica. Havia ameaça real à paz e à democracia.

Os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das forças armadas, interrompendo a escalada conflitiva, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964.

As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o país, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos.

Em 1979, a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional, consolidou um amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia. Foi uma transição sólida, enriquecida com a maturidade do aprendizado coletivo. O país multiplicou suas capacidades e mudou de estatura.

O cenário geopolítico atual apresenta novos desafios, como questões ambientais, ameaças cibernéticas, segurança alimentar e pandemias. As Forças Armadas estão presentes, na linha de frente, protegendo a população.

A Marinha, o Exército e a Força Aérea acompanham as mudanças, conscientes de sua missão constitucional de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais, e seguros de que a harmonia e o equilíbrio entre esses poderes preservarão a paz e a estabilidade em nosso país.

O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março.”