“Não entrei na polícia para prender pai de família”, disse PM antes de ser morto

A morte do policial militar Wesley Góes, baleado pelos próprios colegas de corporação enquanto fazia um protesto no Farol da Barra, na Bahia, chamou atenção do país sobre os polêmicos decretos estaduais e municipais contra a pandemia do coronavírus. Na ocasião, o PM entrou em “surto” por não concordar com tais medidas.

“Comunidade, venham testemunhar a honra ou a desonra do policial militar do estado da Bahia […] Não vou deixar, não vou permitir que violem a dignidade e honra do trabalhador”, afirmou o PM enquanto segurava um fuzil na mão.

Demonstrando aparente estado de revolta e descontrole, Wesley chegou a atirar várias vezes para o alto, deixando os populares assustados. Em outra ocasião, ele que atuava na Polícia Militar há 13 anos, disse que não entrou na PM para “prender pai de família”.

“Eu quero trabalhar com honracom dignidade. Eu não vou mais prender trabalhador, não entrei na polícia para prender pai de família. Quero trabalhar com dignidade, porque sou policial militar da Bahia”, afirmou o militar.

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) tentaram acalmar o PM, negociando a sua rendição, mas não obtiveram sucesso. Em dado momento, quando Wesley teria supostamente atirado contra os colegas, os militares revidaram, atingindo o soldado, que ainda chegou a ser levado com vida para o hospital, mas não resistiu e veio a óbito.

Segundo informações do Bahia Notícias, os familiares de Wesley negaram que ele tivesse tido qualquer problema de “surto” antes. Ao chegar no Farol da Barra, ele ainda teria dito um recado aos colegas da polícia: “Seus filhos estão presenciando sua covardia, policiais militares do estado da Bahia”. Assista abaixo: