Brasil sobe para a 9ª posição entre as maiores potências militares do mundo

Muitos não sabem, mas o Brasil é sim uma das maiores potências militares do mundo, e agora está entre às 10 maiores Forças Armadas do planeta, ao lado de países como os Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e o Japão, segundo um levantamento anual feito pela Global Fire Power.

Na lista de 2021, já atualizada, o Brasil subiu da 10ª para a 9ª posição em um total de 136 países avaliados. Abaixo, colocamos a lista dos dez primeiros colocados. Não é surpresa que entre os três primeiros estão EUA, Rússia e China, posição repetida ao longo dos anos.

1ª – Estados Unidos

2ª – Rússia

3ª – China

4ª – Índia

5ª – Japão

6ª – Coreia do Sul

7ª – França

8ª – Reino Unido

9ª – Brasil

10ª – Paquistão

Nenhum outro país do Continente Americano – Norte, Central e Sul – aparece entre as 30 maiores potências militares do mundo, além dos Estados Unidos (1ª), Brasil (9ª) e Canadá (21ª).

Da região Sul, a Colômbia só vem aparecer na 39ª posição, Argentina na 42ª e Venezuela na 43ª, respectivamente. O México aparece apenas na 46ª colocação. Além dos EUA, portanto, O Brasil possui as Forças Armadas mais poderosas das Américas.

Quais são os critérios de avaliação?

O Global Fire Power é uma mídia especializada no assunto, sendo referência para veículos de comunicação do mundo inteiro quando o assunto é análise e ranking do poderio militar dos países. Muitos questionam os resultados divulgados, mas isso porque não consideram os diferentes critérios empregados na avaliação.

Segundo o GFP, eles avaliam ao menos 50 critérios “para determinar a pontuação PowerIndex (‘PwrIndx’) de uma determinada nação com categorias que variam de poder militar e financeiro a capacidade logística e geografia”.

Diferentemente do que muitos imaginam, a força militar de um país não é calculada apenas pelo número de armamentos, ou estado de uso e tecnologia, mas também pelo poder econômico do país, suas condições geográficas, capacidade de produção de tecnologias, reservas minerais e número de pessoal.

O Brasil, por exemplo, possui uma grande indústria naval e aérea, tendo capacidade e tecnologia para produzir navios e aeronaves de ponta, como submarinos e aviões de combate. Além disso, possui uma grande indústria de minérios, incluindo o aço, o que garante relativa autonomia na produção das próprias armas.

Capacidade do Brasil de produzir suas próprias armas lhe coloca entre as maiores potências militares do mundo.
Capacidade do Brasil de produzir suas próprias armas é um fator de peso na classificação das maiores Forças Armadas do mundo. Na imagem, um modelo do lançado de mísseis Astros II, considerado um dos melhores do mundo e desenvolvido pela indústria nacional. Reprodução: Google

Esses dados são de extrema importância na avaliação do poder militar de um país, pois numa situação de guerra é comum que nações dependam de outras para o fornecimento de armas e munições, a exemplo do que acontece entre os países do Oriente Médio, onde grande parte do fornecimento de armas é realizado por países como Rússia, China, Irã e Paquistão.

Até mesmo a capacidade de abastecimento alimentício interno é um fator que pesa na avaliação, sendo a produção agropecuária outro item de peso, pois isso aumenta a independência do país das outras nações em caso de conflito armado.

Número de pessoal

Outro elemento-chave na definição das maiores Forças Armadas do mundo é o número de pessoal ativo, de reserva, mão de obra e em idade de alistamento. No caso do Brasil, o GFP diz que o país possui 2.074.500 de militares em números absolutos, sendo 334.500 na ativa e 1.340,000 na reserva.

O Brasil possui um grande contingente de militares, o que ajuda na sua classificação entre as 10 maiores potências militares do mundo.
Número de militares do Brasil é um dos fatores que coloca o país entre as 10 maiores potências militares do planeta. Reprodução: Google

Além desses, o GFP diz que ainda existem no Brasil 400.000 “paramilitares”, pessoas definidas como integrantes de “entidades semimilitares que podem fortalecer a capacidade de combate de uma dada nação no terreno”. Se tratam, pelo que entendemos, dos policiais em geral.

Para se ter uma noção comparativa, os EUA, que ocupa a 1ª colocação na lista, possuem 1.400,000 militares na ativa. A Rússia (2ª) 1.014.000 e o Japão, que está a 5ª posição, 250.000.

Avanço nas armas

No quesito armamento, o Brasil se destaca não pela qualidade tecnológica de todo o seu material, muitos dos quais precisam de atualização, mas pela diversificação e qualidade técnica do seu pessoal. O país possui, por exemplo, bons equipamentos de defesa terrestre, aéreo e naval.

Na parte aérea, por exemplo, o Brasil já recebeu seu primeiro caça de combate modelo Gripen, em 2020, uma aeronave de última geração que deverá atualizar a frota de caças da Força Aérea. Essa foi a primeira de um lote de 36 aeronaves previstas, podendo ser um número ainda maior.

Adquirido na Suécia, novo caça Gripen da Força Aérea Brasileira é uma aeronave de última geração.
O novo caça de combate do Brasil representa uma nova geração de avanços na modernização das Forças Armadas, o que ajuda na classificação do país entre as grandes potências do mundo. Na imagem, o primeiro modelo Gripen em solo nacional. Reprodução: Google

“Além da máquina em si, a grande vantagem competitiva da proposta sueca, que lhe garantiu êxito na concorrência travada dentro do projeto F-X2, superando norte-americanos e franceses, reside justamente na transferência de tecnologia para a indústria brasileira”, informou a revista Aero Magazine sobre o Gripen brasileiro.

Na parte naval, o Brasil está em fase de desenvolvimento do seu primeiro submarino nuclear. Atualmente o país conta com seis unidades não nucleares, segundo a GFP. Com tecnologia própria, o projeto fará com que o país entre para o seleto grupo de apenas 6 nações que possuem esse tipo de embarcação.

Ainda no quesito naval, o Brasil já desenvolveu e já possui em seu arsenal o seu primeiro Míssil Antinavio Nacional de Superfície de longo alcance, o MANSUP, testado pela primeira vez em 2018, e com sucesso.

Míssil da Marinha do Brasil sendo testado como terceiro protótipo.
O MANSUP é um míssil de longo alcance e alta tecnologia desenvolvido pelo Brasil, sendo um armamento que poucos países do mundo possuem a capacidade de produzir e ter em seu arsenal de guerra. Na imagem, um dos protótipos em teste. Reprodução: Google

“O equipamento, que está nos planos da Marinha para a exportação, coloca o país em um seleto grupo de apenas dez nações no mundo com esse desenvolvimento tecnológico no setor, como Estados Unidos, Rússia e China”, informou a Veja na época.

O Brasil também já chegou na fase final de desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300, um armamento de longo alcance comparado ao Tomahawk, desenvolvido pelos Estados Unidos, porém mais barato e com tecnologia nacional. Se trata, também, de um equipamento que pouquíssimas nações possuem e tem condições de produzir.

Míssil brasileiro AV-TM 300 faz parte do arsenal de guerra do Exército.
O míssil AV-TM 300 é produzido no Brasil e constitui o seu míssil de mais longo alcance, podendo atingir países vizinhos. Reprodução: Google

O AV-TM pode alcançar outros países, visto que ele possui alcance de 300km de distância, com precisão de impacto de apenas 30 metros, guiada por GPS, o que lhe torna um míssil de cruzeiro. Ate então o Brasil não tinha nada parecido em seu arsenal de guerra, sendo esse parte do Exército, ou seja, um equipamento de defesa terrestre.

Por fim, como é possível notar, o lugar do Brasil entre as 10 maiores potências militares do mundo não é por acaso, visto que o país está avançando na modernização das suas defesas, tanto na parte aérea, naval ou terrestre. Os exemplos citados são poucos diante dos projetos em andamento, o que possivelmente fará o país subir nos próximos anos na lista da Global Fire Power.

Para conferir a lista completa da GFP das maiores potências militares do mundo e os dados de cada país, acesse aqui.