Apreensão histórica de 29 toneladas de maconha mina o poder do tráfico

Na última segunda-feira (08) a Polícia Rodoviária Federal apreendeu nada menos do que 29 toneladas de drogas, precisamente maconha, escondidas em uma carga de milho. Segundo informações da própria organização, se trata da maior apreensão de drogas da história da corporação no Brasil.

A apreensão ocorreu no km 295 da BR-267, próximo ao município de Rio Brilhante, a 161 quilômetros de Campo Grande, informou o G1. Mas a grande questão é: qual é a importância da apreensão de drogas para o combate à corrupção no Brasil? Ou, será que não existe relação entre tráfico e o chamado “crime de colarinho branco”?

O tráfico alimenta a corrupção

O que muitas pessoas têm em mente quando se fala de combate à corrupção é uma ideia fixa sobre a atuação de políticos no Congresso Nacional. Ou seja, de que esse tipo de crime só é combatido nos bastidores da política, através de leis e investigações que partem do âmbito legislativo ou, no máximo, do judiciário.

Mas essa é uma verdade parcial. Isso porque, a corrupção diz respeito a um grande esquema com início, meio e fim, e também de múltiplas facetas. O dinheiro que é usado para comprar políticos corruptos através da chamada “propina”, por exemplo, para determinados favorecimentos, muitas vezes é oriundo do tráfico.

E como o tráfico arrecada tanto dinheiro? Pela venda de drogas! O filme Tropa de Elite 1 e 2, um dos grandes sucessos do cinema nacional, mostrou exatamente essa estreita relação entre o tráfico de drogas e a classe corrupta da política brasileira.

Uma reportagem do UOL publicada em 2018, por exemplo, revelou que o delegado Roberto Biasoli, então responsável pela Operação Efeito Dominó, um desdobramento da Lava Jato, apontou indícios de um esquema envolvendo o tráfico e a corrupção. “Há indícios de um vínculo muito claro do dinheiro do narcotráfico, em espécie, indo parar nas mãos de políticos”, afirmou Biasoli.

É por essa razão que o Governo Federal tem investido pesado no combate ao tráfico de drogas. Só em 2020 houve um aumento de 190% de apreensões comparado ao ano de 2019, totalizando um prejuízo de R$ 6,1 bilhões para o narcotráfico.

Sempre que uma grande apreensão é feita, o traficante deixa de ter o produto para vender e lucrar. Com isso, a principal fonte de renda do criminoso é cortada. Ele fica sem a sua principal moeda de troca. É como se o governo fosse direto na fonte de alimentação de alguns dos principais esquemas de corrupção do país.

Polícia Rodoviária Federal

Nesta luta contra o tráfico e a corrupção, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem desempenhado um papel fundamental, pois ela atua nas “veias” e “artérias” que cortam todo o território nacional, por onde a mercadoria do crime organizado é escoada.

Só em 2020, a PRF sozinha deu um prejuízo de R$ 5 bilhões ao narcotráfico com apreensões recordes, informa o site oficial do Governo Federal. Outra ferramenta crucial tem sido o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (VIGIA), que praticamente dobrou, indo de 383, em abril, para 650, em dezembro, o número de agentes de segurança nas divisas do país.

Como grande parte das drogas vem de outros países, como a Bolívia, Colômbia e Venezuela, o papel dos agentes no controle das fronteiras é indispensável. Com toda essa articulação e investimento, o resultado não poderia ser outro, senão o sucesso na apreensão de drogas em todo o Brasil.

“Tivemos várias operações da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, que resultaram em recordes no número de apreensão de drogas, de valores relacionados a desvios em casos de corrupção, recorde de operações em casos de corrupção”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça.